terça-feira, 11 de outubro de 2016

GUAPIMIRIM SAI NA FRENTE NA AGRICULTURA COOPERATIVADA


Membros da Associação de Agricultores de Guapimirim se reuniram na segundas-feira 10 de outubro no Sítio Kioday, no bairro Cotia. O objetivo foi orientar os agricultores para que eles se legalizem junto à cooperativa em processo de fundação, para que a mesma seja amparada com base na lei 11447. Por essa lei, os agricultores cooperados fazem jus a incentivos para o preparo da terra e o plantio, com maquinário adequado cedido governo federal, via Ministério da Agricultura.

Marlene, ex-secretária de agricultura de Guapimirim, que é a idealizadora do projeto de criação da cooperativa disse que o governo exige a prefeitura de cada cidade deva comprar pelo menos trinta por cento dos produtos específicos da região, para abastecer escolas e hospitais. E se os produtores locais tiverem produtos orgânicos, deve-se optar por esses produtos. Caso eles não atendam à demanda, aí deve-se completar tal demanda com os produtos tradicionais. Marlene também enfatizou que na última tomada de preços da prefeitura de Guapimirim para a aquisição de produtos locais, a mesma só citou produtos que não são próprios da região, como pera, maçã e outros, o que não condiz com a lei, que especifica produtos da região. Enfraquecidos e sem nenhum apoio, os agricultores ficaram sem ação diante da "jogada" oficial.
Segundo Marlene, a criação da cooperativa é fundamental para que os produtores não fiquem desprotegidos e não sejam pegos de surpresa. Devidamente legalizados, os agricultores de uma cooperativa são protegidos pelo próprio CNPJ da entidade, que lhes dá cobertura e orientação para enfrentarem situações arranjadas. Kátia, funcionária do sindicato rural disse que o INEA prorrogou o prazo para cadastros até maio de 2017, e que o valor estipulado para cada cooperado giraria em torno de R$ 150. 
José Minssem questionou sobre a questão dos documentos junto à cooperativa e a EMATER. Marlene explicou que a EMATER tem tido grandes dificuldades para chegar ao agricultor, por falta de estrutura de pessoal e equipamentos. Mas a cooperativa fechou um apoio com a EMATER, de modo que ela possa atender aos produtores, mesmo com as dificuldades em questão. Disse ainda que a cooperativa não trabalhará apenas com produtos orgânicos, devido à procura baseada em preços. Com isso, é necessário que se trabalhe também com os produtos tradicionais.
Não é somente ao agricultor que a cooperativa atende. Ela contempla também os criadores de gados, aves e peixes. Sendo assim, torna-se uma casa de todos. É também projeto da cooperativa, criar uma fábrica para produção de conservas com produtos da região. Os produtores em dia com a cooperativa terão também o direito de usar o cadastro da cooperativa para negociar seus produtos. 
Perguntados sobre o porquê de a Cooperativa agrícola da Cotia não ter prosperado no município, representantes da EMATER responderam que a mesma se instalou por lá com todas as técnicas e os aparatos de São Paulo, de onde vieram, sem fazer qualquer contato com o corpo técnico do Estado do Rio de Janeiro, e tentou trabalhar com produtos que, na época, não tinham mercado por aqui. 
O empresário Mauro Kioday, proprietário do sítio e também produtor de orgânicos, falou da viagem que fez ao Japão, para conhecer de perto a importância do cooperativismo na agricultura. Disse que as palavras mais importantes no cooperativismo são união e honestidade. A reunião dessas duas palavras formam uma filosofia de vida e modelo econômico e social. Citou ainda  o exemplo dos produtores de nabo no Japão, que passam por uma inspeção rigorosa de qualidade e todos têm qualificações por letras, que vão de mal a excelente, e todos se unem para a excelência da produção.
Durante a reunião houve uma exposição de produtos orgânicos, como: bananas, outras frutas, aipim, flores,verduras,  queijos etc.

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