terça-feira, 2 de agosto de 2016

Opinião - IGREJAS E TODOS OS OUTROS TEMPLOS RELIGIOSOS DEVEM PAGAR IMPOSTOS

Isac Machado de Moura

Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus..."

Igreja e estado precisam sempre ser entidades desvinculadas. O estado precisa ser para todos. A igreja para quem quer. A igreja, no entanto, precisa ser relevante para a comunidade em que está inserida; precisa entender e cumprir a integralidade de sua missão. Quando perguntadas sobre a localização de tal igreja, as pessoas da comunidade, independente de fazerem parte dela ou não, precisam saber informar onde  fica. Se não sabem, não é relevante.
A igreja (todas) e todos os demais templos religiosos precisam desenvolver algum projeto social, precisam investir mais em pessoas do que em templos. Não entendo por que uma igreja precisa juntar dinheiro. Não entendo o descaramento de alguns líderes fazendo o discurso do "juntar tesouro nos céus", enquanto acumulam tesouros na terra, seja em nome da instituição ou em seu próprio nome, o que é mais grave ainda. Assim, a igreja que junta tesouros aqui mesmo na terra precisa compartilhar esse tesouro, usá-lo para amenizar as desigualdades que existem na comunidade ou, na ausência de projetos sociais relevantes, pagar impostos. Por que não? 
Se cada templo religioso desse país fizer um pouquinho (os "pobrinhos" podem continuar isentos) pela comunidade em seu entorno, podemos melhorar muito a vida de muitos, com programas de esportes, de artes, de saúde, de educação. E aí sim, isenção de impostos. 
Bom, a instituição igreja não quer muito discutir essa coisa de pagar impostos, e por garantia, elege representantes com o objetivo de tirar isso de pauta em cada casa legislativa onde tal tema é proposto. 
O Cristo era bom em dividir. A maioria das lideranças cristãs são boas em multiplicar, somar, acumular.
Até mesmo no Velho Testamento, com todo o seu radicalismo, há uma preocupação com os pobres e estrangeiros, quando se institui os "rabiscos da colheita". Todo o evangelho é permeado pela política do "tamu junto", do "tudo para todos", do "um mais um é sempre mais que dois". Nada, no Cristianismo, que tenha a ver com luxo, tem sua origem no Cristo. Luxo e suntuosidade e grana e tesouros têm a ver com Constantino, só passaram a existir no Cristianismo pós-Constantino, que é o Cristianismo do cetro papal e do cetro pastoral. E esse Cristianismo tem sim que pagar impostos, assim como todas as outras religiões.

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