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terça-feira, 8 de março de 2016

VERGONHA: MULHER É HOMENAGEADA E DESPEJADA PELO PODER PÚBLICO

Escolhida pela Assembleia Legislativa do Rio para ser homenageada como símbolo feminino da comunidade Vila Autódromo, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, Maria da Penha Macena, de 50 anos teve sua casa demolida pela Prefeitura do Rio na manhã deste dia internacional da mulher, 08 de março. Em entrevista a um portal da web, Maria da Penha disse que que mal teve tempo de tirar seus pertences de casa. Ela abrigada na igreja da comunidade, onde mora há 23 anos, até conseguir uma moradia.
“Demoliram a minha casa hoje, estou na rua. Estou carregando as minhas coisas para a igreja neste momento. Eu vou me obrigar na igreja até que o prefeito decida uma moradia para mim. Eu quero ficar na minha comunidade, moro aqui há 23 anos. Quase não deram tempo de eu tirar as minhas coisas, o oficial de justiça disse que tinha que ser hoje e eu tirei a minha mudança do jeito que deu”, desabafou a mulher homenageada e despejada pelo poder público e o que ele sabe fazer de melhor: prejudicar os mais simples e necessitados.
Além da casa de dona Maria da Penha, outras duas foram destruídas. Uma situação desumana, como classificam moradores e defensores públicos envolvidos na causa, numa tentativa de amenizar o sofrimento daquelas pessoas. As razões do despejo daquelas pessoas vêm da própria Prefeitura do Rio, em virtude das condições de moradia em um bairro com tubulações cortadas, proliferação de mosquitos e doenças. As famílias daquela comunidade moram em escombros. 

E não há nenhum outro objetivo, já que o local sequer será usado para construção do Parque Olímpico nem como rota para os jogos. O que os moradores pedem é nada mais que a urbanização do local. 
O prefeito Eduardo Paes afirmou em nota, que a prefeitura irá anunciar o plano de urbanização da comunidade nos próximos dias. É o mínimo que se espera, além do cumprimento do anúncio. Enquanto isso, ninguém sabe como ficam doba Penha e as outras pessoas vítimas de mais essa covardia do poder público.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Artigo - DAS RELAÇÕES CONSANGUÍNEAS


As hierarquias são próprias das relações trabalhistas; dos partidos políticos; grupos e agremiações, inclusive de amigos, e das religiões - não há nada mais hierárquico do que as religiões. O mundo está inteiramente montado nas hierarquias, pelas quais manda quem pode; obedece quem tem juízo. Vale mais quem tem o cargo mais alto; quem tem mais a oferecer ou trocar. Em muitas hierarquias, uns têm todos os direitos; outros, apenas deveres e obrigações. Em todas, respeito e admiração significam vantagens; interesses recíprocos; o eterno toma-lá-dá-cá.
Só acho que nas famílias não deve ser assim. Em minha visão, famílias não podem ter patamares; termômetros sociais, religiosos ou de quaisquer outras naturezas. Ninguém deve ser melhor por ser mais forte, culto, bem sucedido, puxa-saco, influente ou até bonito. Quem dá mais, menos ou nada, conforme a realidade pessoal, tem o mesmo valor. O religioso e o profano; o centrado e o extrovertido; quem cultiva este ou aquele gosto, não importa: não há de haver medida nem torneio. Comparação nem justiça quantitativa. Ninguém conquista o direito de falar sempre mais alto e achar que ao outro cabe apenas baixar os olhos e obedecer.

As discussões em família não devem ser palestras ou lições de moral de uns e obediência plena; silêncio litúrgico dos mais. Podem ser conversas brandas, de igual para igual, mas também bate-bocas; barracos. Em nenhum dos casos cabe haver lado herói nem vilão. Ninguém marcado como quem sempre erra ou coroado como quem sempre acerta. O mais ofendido e com direito a ficar "de mal". "De bico". "De ovo virado", até que o adulem repetidamente, pois a sua importância exige um mutirão pela esmola do reconhecimento de que ele não é perfeito. Só quase.
As relações familiares não são pirâmides. Não é justo que elas sejam pautadas por méritos ou valores externos. Ninguém é melhor. Pior, só se for de comprovada má fé; mau caráter; índole perversa. No mais, cada um tem seus defeitos e virtudes; problemas e soluções; erros e acertos. E todos devem se completar, pelo fato de que onde uns erram outros acertam. Ao invés de hierárquicas, as relações de famílias devem ser de amor... ou as famílias não são exatamente famílias.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Papa sinaliza possível concessão a métodos contraceptivos em casos de Zika

Pauta do MSN

O papa Francisco pareceu abrir caminho para uma possível, ainda que limitada, suavização da proibição da Igreja Católica a métodos contraceptivos por causa do Zika vírus.
Mas o pontífice argentino, que falava aos repórteres na volta para Roma após uma visita ao México, descartou categoricamente o aborto como reação ao Zika, comparando a prática aos assassinatos da máfia italiana.
A crise de saúde vem pondo em questão os ensinamentos da Igreja, especialmente na América Latina, onde o aborto está sendo debatido mais abertamente até mesmo em alguns países conservadores.
Muitos cientistas acreditam que a Zika, uma doença transmitida por mosquitos que está se alastrando pelas Américas, pode ser um fator de risco de microcefalia – uma má-formação craniana em recém-nascidos.
Nas descontraídas coletivas de imprensa pós-viagem que se tornaram uma marca registrada de seu papado, Francisco foi indagado se recorrer à contracepção entraria na categoria de "menor dos males", e como se sente a respeito de algumas autoridades que aconselham gestantes com Zika a fazer abortos.
Ele rejeitou categoricamente que o aborto venha a ser permitido futuramente para mulheres grávidas infectadas com Zika temerosas de dar à luz uma criança com microcefalia.
"O aborto não é um mal menor. É um crime. É matar uma pessoa para salvar outra. É o que a máfia faz", disse o papa, repudiando a prática com fervor. "É um crime. É um mal absoluto".
A Igreja de 1,2 bilhão de fiéis ensina que o aborto é um crime porque a vida começa no momento da concepção. A Igreja prega que a contracepção é errada porque nada deveria impedir a possível transmissão da vida.
Mas Francisco mencionou em sua resposta que um de seus antecessores, o papa Paulo 6º, emitiu uma dispensa excepcional que permitiu a freiras na África utilizarem a pílula anticoncepcional porque corriam risco de serem estupradas em meio a um conflito local.
Ele disse que Paulo, que foi papa entre 1963 e 1978, reagiu a "uma situação difícil na África", dando a entender que existe um precedente papal.
Francisco não contou quando exatamente seu antecessor abriu a exceção, mas acredita-se que o fato ocorreu nos anos 1960 no que então era o Congo Belga. Pouco se sabe sobre o episódio, que não foi divulgado na ocasião.
Francisco disse que, diferentemente do aborto, "evitar a gravidez não é um mal absoluto", e acrescentou que "em certos casos", como o precedente de Paulo 6º, empregar a contracepção pode ser o "mal menor".
Ele não deu maiores detalhes.
Em seus comentários sobre o Zika, o papa também clamou para que as comunidades médica e científica façam todo o possível para descobrir mais sobre a doença.
"Eu também gostaria de exortar os médicos a fazerem tudo para encontrar vacinas contra os mosquitos que carregam esta doença. Temos que trabalhar nisso", disse.